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bem vindos ao meu blog -"Aquele que tem os meus mandamentose os guarda, esse é o que me ama; euo amarei e me manifestarei a ele... Sealguém me ama, guarda a minhaPalavra, e o meu Pai o amará e viremospara ele e faremos nele morada."João 14:21,23-Pr Antonio & familia

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Continua tudo na mesma?

O discurso inflamado de Suha Arafat contra os líderes da Autoridade Palestina (AP) e herdeiros de Yasser Arafat [enquanto ele estava hospitalizado na França] foi esclarecedor em muitos aspectos. Num nível básico, as declarações de Suha revelaram muito acerca da natureza da AP e da OLP, duas organizações fundadas e lideradas pelo seu marido. A mulher de Arafat, que vivia separada dele praticamente desde que se casaram, partiu para o confronto. O motivo de todo aquele barulho era o espólio ilícito que Arafat amealhou ao longo dos anos – dinheiro que ele conseguiu ludibriando a comunidade internacional para obter auxílio, e extorquindo os palestinos na Judéia, Samaria, Gaza e em todo o mundo árabe. Ela queria o dinheiro – algo em torno de 6,5 bilhões de dólares – e não iria permitir que seu maridinho com morte cerebral fosse desligado dos tubos até consegui-lo.

Do outro lado, toda a hierarquia de asseclas de Arafat, desde Mahmoud Abbas e Ahmed Qorei, passando por Saeb Erekat e dele para baixo, começou a protestar. O dinheiro, diziam eles, pertence ao povo palestino e, portanto, quem deveria receber os códigos das contas bancárias numeradas onde Arafat o tinha depositado (depois de roubá-lo do povo palestino – o que eles não diziam) eram eles, e não Suha.

Tudo isso revelou que a estrutura construída por Arafat, além de ser a mais rica organização terrorista do mundo, é um sindicato do crime.



Suha Arafat.




É importante saber disso porque, embora Arafat e a OLP tenham sido enaltecidos pela Europa e pela esquerda internacional durante décadas como revolucionários, no fim das contas vê-se que eles realmente eram – e ainda são – um bando de ladrões. Obviamente, nós sempre soubemos disso. Durante as negociações com a OLP, na tempestuosa década de noventa, o único momento em que os negociadores palestinos realmente perderam a linha foi quando se falou na questão do dinheiro.

Quando Israel tentou impedir que Mohammed Rashid, o encarregado da lavagem do dinheiro de Arafat, tivesse o controle da receita proveniente dos impostos sobre combustíveis e cigarros [vendidos nos territórios da AP], ele perdeu a compostura e ficou furioso. No meio das negociações, Rashid (que tinha a confiança de Arafat porque, sendo de etnia curda, não teria condições de construir sua própria base de poder dentro da OLP) levantou-se e arremessou uma cadeira por cima da mesa de negociações. Ao mesmo tempo, ele acusou a jovem negociadora israelense (eu) de insultar a honra do povo palestino ao mencionar que o dinheiro dos impostos não deveria ir para a conta secreta de Arafat no Banco Leumi, em Tel Aviv, e sim para o Ministério das Finanças Palestino. Rashid, assim como Qorei, Abbas, Mohammed Dahlan, Jamil Tarifi, Nabil Shaath, Jibril Rajoub e outros, deixou claro para seus "parceiros da paz" que o que ele realmente precisava era do controle dos recursos financeiros. Isso, diziam todos eles, garantiria a manutenção da estabilidade nos territórios palestinos.

De sua parte, os negociadores israelenses, assim como seus parceiros americanos, tratavam seus corruptos amigos palestinos de forma paternalista. Eles achavam que a corrupção palestina era boa para Israel. O raciocínio era este: enquanto os senhores da guerra continuassem bem alimentados, a lei e a ordem nos territórios estaria garantida – pelo menos até o ponto de evitar que israelenses fossem mortos.

Como a OLP era o suposto parceiro de Israel no processo de paz, ninguém esboçou qualquer reação quando ela anunciou, e rapidamente pôs em prática, sua política de executar todo palestino que tivesse cooperado com as forças de segurança israelenses. Israel também não fez nada além de emitir protestos inexpressivos, quando, em sua primeira atuação, a AP anunciou a "promulgação" de uma "lei" pela qual qualquer palestino que vendesse terras a judeus seria morto.

Afinal, para que os israelenses precisariam de palestinos moderados e pacíficos, que durante anos tinham arriscado seu pescoço para ajudar Israel, se agora eles tinham a OLP? Por que Israel deveria se preocupar com esses "colaboradores", se tinha no bolso Arafat e seus lugares-tenentes, reconhecidos por todos como os "únicos representantes legítimos do povo palestino"?

O problema com esse plano também foi revelado no acesso de fúria que Suha teve diante das câmeras. Ela declarou que todos os homens de Arafat estavam tentando enterrá-lo vivo (um golpe magistral, visto que ele já estava morto; mas deixe prá lá). De repente, todos eles protestaram contra as declarações de Suha e reafirmaram sua lealdade à trajetória e ao legado político de Arafat, insistindo em dizer que jamais sonhariam em tomar o lugar dele.

Quando o Hamas e a Jihad Islâmica avisaram que não iriam tolerar que os assessores de Arafat lhes dissessem o que fazer, eles estavam fazendo, basicamente, a mesma declaração da estridente Suha. Arafat, afirmavam eles, tinha legitimidade diante de suas organizações por causa de sua importância como "símbolo" do povo palestino. Como nenhum dos camaradas de Arafat foi elevado ao nível de "símbolo", eles não têm nenhum motivo para dar ouvidos a eles nem de aceitar sua liderança. Assim, todos os homens fortes de Arafat na OLP tiveram novamente que se desdobrar em explicações de que o legado de Arafat é também o deles e de que eles nunca se afastariam dos rumos que ele traçou.




Ahmed Qorei (à esquerda).




E aqui está o xis da questão. Os homens de Arafat – Qorei, Abbas, Farouk Kadoumi e até mesmo líderes árabe-israelenses como Ahmed Tibi, membro do Knesset (parlamento de Israel) – devem suas posições no mundo ao fato de fazerem parte do reino de Arafat. Não foi só Arafat que Israel, insanamente, trouxe para dentro da Judéia, Samaria e Gaza (e Israel) em 1994 – com ele veio todo o regime terrorista e corrupto da OLP. Embora a morte de Arafat tenha sido finalmente anunciada, seu reino permanece intacto.

Durante semanas [após o falecimento de Arafat], as autoridades, especialistas e políticos de Israel e do resto do mundo têm falado, naquele seu jeito vazio e ridículo de sempre, sobre Israel aproveitar a oportunidade da morte de Arafat para fortalecer os elementos "reformistas" que existem dentro da AP. Essa manobra não tem a menor chance de dar certo. Em primeiro lugar, não existem elementos "reformistas" na AP. Além disso, qualquer pessoa da AP que ousasse falar em fazer mudanças no modo como as coisas têm sido conduzidas até agora seria imediatamente atacada, ou morta, por se atrever a questionar o legado de Arafat.

Basta ver o que aconteceu com Nabil Amr, membro da OLP e ex-ministro da propaganda da AP, que ousou atacar Arafat, denunciando a corrupção na OLP. Ele levou um tiro na perna e está sendo preparado para receber uma prótese na Europa. E isso aconteceu enquanto Arafat ainda estava no cargo. Imagine o que não aconteceria agora que o "Presidente Martirizado" finalmente foi enterrado.

Se Abbas ou Qorei – os favoritos de Jerusalém e de Washington para herdar o leme de Arafat – tentarem costurar um acordo com Israel ou tomar qualquer atitude contra as milícias da OLP, do Hamas, da Fatah ou da Jihad Islâmica, eles serão imediatamente mortos. Não que eles tenham qualquer intenção de refrear ou desarmar os terroristas. Eles permanecem do lado dos terroristas porque também são, e sempre foram, terroristas. Foi assim que conseguiram ocupar e manter suas posições durante todo esse tempo ao lado de Arafat.

A questão é que, se não houver uma mudança de regime na sociedade palestina, o legado de Arafat sobreviverá. E, como bem demonstraram os gritos de Suha, esse legado diz respeito tanto ao crime quanto ao terrorismo. No aspecto do crime, temos a divisão do dinheiro roubado entre os chefes dos ladrões. Se alguém acha que esses homens vão, de repente, tornar-se honestos, está querendo enganar a si mesmo.

Quanto ao aspecto do terror, temos a herança da assim chamada "luta armada" contra Israel. Mesmo depois do funeral de Arafat, o objetivo dessa luta permanecerá exatamente igual ao que sempre foi: não o estabelecimento de um Estado palestino pacífico fronteiriço a Israel, mas a destruição do Estado judeu.

Se não acontecer nada de novo, não podemos esperar nenhuma mudança agora que Arafat está morto e enterrado. Os iluminados esquerdistas defensores da "paz" já começaram a incitar o governo de Israel para que ajude nossos inimigos palestinos como Abbas e Qorei – e ignore nossos amigos palestinos que praticamente já não existem mais, porque, diante de tantos que foram mortos, os que ainda estão vivos têm medo de mostrar a cara.

O primeiro-ministro Ariel Sharon, que nos últimos três anos e meio adotou uma política de aviltar Arafat mas deixar seu regime intocado, provavelmente continuará em seu curso devastador. Os europeus, juntamente com o [demissionário] secretário de Estado americano Colin Powell, estão dizendo que, com Arafat fora de cena, não há mais divergências entre a administração Bush, o Palácio do Eliseu e o número 10 da Downing Street em Londres, no que se refere à questão palestina.

Há apenas um fraco lampejo de esperança nisso tudo. E ele vem de Washington. Em sua primeira conferência com a imprensa após a reeleição, o presidente americano George W. Bush não se referiu ao "Mapa do Caminho", e sim a um discurso que proferiu em 24 de junho de 2002, como sendo a base de sua política para o Oriente Médio. Nesse discurso, Bush afirmou: "Conclamo o povo palestino a eleger novos líderes; líderes que não estejam comprometidos com o terrorismo. Rogo-lhes que construam uma verdadeira democracia, baseada na tolerância e na liberdade".

O presidente continuou seu discurso pedindo que haja transparência econômica e que seja dado um basta à corrupção oficial na AP. Se Bush pretende manter esse discurso agora que Arafat está morto, então, pela primeira vez, existe uma chance de que as coisas mudem por aqui, desde que a esquerda israelense não acabe estragando tudo. Porém, a única maneira desse plano dar certo é se houver uma verdadeira mudança no regime palestino e se a OLP se juntar a Arafat no túmulo. (Caroline B. Glick, www.jpost.com - http://www.beth-shalom.com.br)

Caroline B. Glick é vice-editora do jornal Jerusalem Post e analista-chefe de questões do Oriente Médio no Center For Security Policy (Centro de Política de Segurança) em Washington/DC (EUA).

Publicado anteriormente na revista Notícias de Israel, dezembro de 2004.

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